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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Dom Keller lança carta Pastoral sobre a Amoris Laetitia



Nota Pastoral A interpretação da Exortação Apostólica “Amoris Laetitia”, na Diocese de Frederico Westphalen.

A cada dia nós, Bispo e padres, pastores da Igreja, nos defrontamos com a realidade de católicos, nossos irmãos de fé, que vivem em situação matrimonial irregular, aqueles que contraindo validamente o Matrimônio, tendo-se divorciado, unem-se civilmente em um novo casamento, ou tão simplesmente convivem juntos. Tal realidade produz certamente, no caso de católicos conscientes, um grande sofrimento.


Já antes da celebração dos últimos Sínodos sobre a Família, não só falava-se sobre isto, mas em alguns lugares foi sendo introduzida a prática de se permitir o acesso destes irmãos católicos aos Sacramentos da Penitência e da Eucaristia, com a justificativa de se aplicar nestes casos, uma solução pastoral emergencial, desde que se verificassem algumas condições: um tempo longo de convivência, “arrependimento” das falhas pessoais em relação ao casamento frustrado, a existência de filhos na segunda união, a estabilidade econômica e afetiva, a vida fundamentada na fé, a indicação da própria consciência, a autorização dada por um sacerdote e outras. Assim sendo, muitas das proposições apresentadas por alguns padres sinodais, na verdade são já praticas aceitas em certas realidades eclesiais. Nós pastores da Igreja, sejamos sinceros, cansamos de ouvir nestes últimos anos aqueles que sempre preconizaram mudanças na prática sacramental da Igreja usando o princípio da mudança “de baixo para cima” ou o bem conhecido princípio do fato consumado: adota-se uma prática pastoral e com o tempo a Igreja seria obrigada a aceitá-la, incorporando-a à sua doutrina e à sua prática.

Tendo sido entregue à Igreja, pelo Santo Padre o Papa Francisco, a Exortação Apostólica “Amoris Laetitia”, com a responsabilidade pastoral de bispo da Santa Igreja, entendo que tal Documento pós Sinodal deva ser lido e interpretado no quadro da chamada “hermenêutica da continuidade e do aprofundamento”, o que significa dizer que uma melhor compreensão da doutrina moral da Igreja, fruto da ação do Espírito Santo, gradualmente nos conduz ao conhecimento da verdade inteira e completa, sem jamais contradizer ou negar o magistério precedente.

De nenhuma maneira a doutrina tradicional da Igreja em relação ao Sagrado Matrimônio, à absolvição Sacramental e à recepção da Sagrada Comunhão podem ser modificadas por alguém, já que a mesma é imutável e não pode submeter-se a opiniões pessoais, muito menos a uma questão de práticas impostas de baixo para cima, de princípios fundados em uma falsa misericórdia que aceita a Doutrina, mas que a nega posteriormente na prática pastoral.

Assim sendo, é preciso ler e compreender a Exortação Apostólica “Amoris Laetitia” à luz do Magistério precedente, já que, como o Santo Padre, o Papa Francisco sabiamente escreve, é neste quadro que ela deve ser lida e compreendida.

Frente às interpretações divergentes em relação a esta questão tão importante, que envolve a salvação eterna das pessoas, penso que seja fundamental expor com clareza o que a Igreja ensina a respeito, e não poderá ensinar outra doutrina diferente desta, sob o risco de trair a Verdade que lhe foi confiada por Nosso Senhor Jesus Cristo para ser anunciada por todo o sempre.

Além de obscurecer a sua Missão de anunciar o Evangelho do Matrimônio e da Família, a tão decantada “misericórdia”, que alguns pretendem impor no que diz respeito a uma flexibilidade doutrinal e pastoral pedida e já praticada em alguns lugares para estes casos, seria um verdadeiro acinte à plêiade de santos da Igreja que derramaram seu sangue na defesa da Doutrina tradicional do Matrimônio; um escândalo para tantos casais que vivem a fidelidade matrimonial, mas que carregam, em muitos casos, a cruz de uma união sacramental marcada por dificuldades e um desrespeito àqueles homens e mulheres que por razões diversas vivem nesta situação irregular, oferecendo por si e pelos seus a cruz de não poderem aproximar-se da Sagrada Eucaristia.

A Doutrina que a Igreja ensinou, ensina e ensinará, especialmente sobre a questão da recepção dos sacramentos da Penitência e da Eucaristia é clara: para se receber validamente o Sacramento da Penitência, além da confissão dos pecados e da satisfação, que é o cumprimento da penitência imposta pelo Confessor, é necessária a verdadeira contrição, que inclui em si o propósito de emenda. Sem essa condição, não é possível que alguém seja absolvido e possa receber a Sagrada Comunhão.

No caso de divorciados que voltaram a casar, e dos que simplesmente coabitam anteriormente validamente casados, enquanto os cônjuges são vivos, não é possível legitimar a segunda união civil através da celebração de um Matrimônio canônico.

Assim, a nova união marital constitui uma grave irregularidade, um verdadeiro pecado. Como consequência, para que um católico nessas circunstâncias possa ser sacramentalmente absolvido, a condição indispensável é o propósito de não cometer mais este pecado, que neste caso, pressupõe o abandono da vida em comum ou então, seja pelo vínculo afetivo, seja pela idade avançada, seja pela presença de filhos que não podem ser deixados de lado, seja por qualquer outra razão, o continuarem a viver juntos, mas como irmãos ([1]). Só nestas condições é que alguém poderá receber a Sagrada Comunhão.

Este é o ensinamento tradicional da Igreja, expresso de forma cabal na Exortação Apostólica Familiaris Consortio, que vale a pena recordar: “A Igreja, contudo, reafirma a sua práxis, fundada na Sagrada Escritura, de não admitir à comunhão eucarística os divorciados que contraíram nova união. Não podem ser admitidos, do momento em que o seu estado e condições de vida contradizem objetivamente aquela união de amor entre Cristo e a Igreja, significada e atuada na Eucaristia. Há, além disso, um outro peculiar motivo pastoral: se se admitissem estas pessoas à Eucaristia, os fiéis seriam induzidos em erro e confusão acerca da doutrina da Igreja sobre a indissolubilidade do matrimonio.

A reconciliação pelo sacramento da penitência - que abriria o caminho ao sacramento eucarístico - pode ser concedida só àqueles que, arrependidos de ter violado o sinal da Aliança e da fidelidade a Cristo, estão sinceramente dispostos a uma forma de vida não mais em contradição com a indissolubilidade do matrimonio. Isto tem como consequência, concretamente, que quando o homem e a mulher, por motivos sérios - quais, por exemplo, a educação dos filhos - não se podem separar, «assumem a obrigação de viver em plena continência, isto é, de abster-se dos atos próprios dos cônjuges»”([2]).
Portanto, o Santo Padre, na Exortação pós Sinodal Amoris Laetitia em nenhum momento propõe que simplesmente se permita a recepção dos sacramentos da Penitência e da Eucaristia a pessoas que vivam em objetiva situação irregular em relação ao sacramento do Matrimônio, mas sim de discernir as situações em que, «por causa dos condicionalismos ou dos fatores atenuantes» (AL 305), possa alguém encontrar-se objetivamente em uma situação de pecado sem culpa grave correspondente. Portanto, contrariando aqueles que pretendem um abandono da prática tradicional da Igreja em relação a esta questão, não existe nenhuma mudança de rumo para estas situações, e a atenção pastoral individualizada nestas situações deve ser realizada sempre «evitando toda a ocasião de escândalo» (AL 299) e sem «nunca se pensar que se pretende diminuir as exigências do Evangelho» (AL 301).

Ao mesmo tempo, antes de tudo, se faz necessário reafirmar a Doutrina tradicional da Igreja. Mas segundo o Santo Padre, é preciso também, e bem situados neste quadro doutrinal, não esquecer o dever de se ajudar com misericórdia e caridade aos divorciados unidos em segunda união, ou aqueles que, após um casamento canônico, vivem maritalmente com outra pessoa, para que jamais se considerem abandonados, discriminados, diminuídos etc. em relação à Igreja. Tal auxílio espiritual e pastoral deve efetivar-se através do debruçar-se sobre esta sofrida realidade, como tão sabiamente recorda o Papa Francisco, através do anúncio da Palavra de Deus, do incentivo à participação na Santa Missa, da promoção da vida de oração, da vivência da caridade e da penitência, entre outras possibilidades.

Também, de forma concreta, de grande ajuda será o que estabeleceu o Santo Padre, através da reforma dos procedimentos nas causas matrimoniais. Aí está um caminho seguro e eficaz para certamente resolver muitas destas situações.

Ciente de que esta questão é de suma importância, como pastor da Igreja Diocesana de Frederico Westphalen, vou ainda oferecer aos padres desta Diocese um Documento oficial para a aplicação pastoral da Exortação pós Sinodal “Amoris Laetitia”, dentro desta hermenêutica de interpretação, fundamentada nos princípios da continuidade e do aprofundamento.

Invoquemos as luzes do Espírito Santo, para que possa iluminar a todos, pastores e rebanho, afim de que este Documento pós Sinodal se transforme em um marco doutrinal e pastoral, no que diz respeito a esta questão tão importante para a vida da nossa Igreja Diocesana e para o bem de todos os fiéis.

“Emitte Spiritum tuum et creabuntur et renovabis faciem terrae”.

+ Antonio Carlos Rossi Keller
Bispo de Frederico Westphalen

[1] Carta Haec Sacra Congregatio, Congregação para a Doutrina da Fé, de 11-IV-1973.
[2] São João Paulo II, Exortação Apostólica Pós Sinodal Familiaris Consortio,n.84.

Via: Site da Diocese de Frederico Westphalen

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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Paix Liturgique: Experiência de paróquia que celebra tanto a forma ordinária como aquela extraordinária do Rito Romano


A participação da Paix Liturgique na conferência Sacra Liturgia de 2015, no início de Junho, em Nova Iorque, foi ocasião para descobrir a única paróquia de Manhattan que todos os dias oferece tanto a Forma Ordinária do Rito Romano como aquela Extraordinária: a paróquia dos Santos Inocentes (“Holy Innocents”), situada na 37th Street West, a dois passos da Broadway. O pároco, o Pe. Leonard F. Villa, nomeado em dezembro de 2014, dispôs-se a no-la descrever e a dar o testemunho da sua experiência de aplicação serena e generosa do motu proprio Summorum Pontificum.


I – Uma paróquia em plena renovação

Erigida em 1868, na parte sul de Manhattan, no coração do que era outrora a Pigalle nova-iorquina, e passando depois a ser considerada o "Garment district" (o quarteirão dos tecidos e da moda), a paróquia dos Santos Inocentes, há muito que ganhou a fama de ser a paróquia dos atores, dada a sua proximidade dos teatros da Broadway. Tendo a frequência dominical decaído no entretanto, já que se trata de um quarteirão de espetáculos e comercial, mais do que residencial, viu-se a braços nos tempos mais recentes com a ameaça da extinção, por ocasião de um plano de reestruturação diocesana. Mas eis que, de repente, o arcebispo de Nova Iorque, o Cardeal Dolan, se viu confrontado com o renascimento da paróquia desde que se abriu à forma extraordinária do rito romano em 2009-2010. De facto, desde então, a frequência das missas dominicais triplicou. Foi aí que o arcebispo não apenas confirmou o seu estatuto paroquial, como até lhe deu um novo pároco, já que era desde 2013 que a paróquia estava desprovida de um.

A igreja neogótica, construída em 1870, tem por principal atração o afresco do retábulo representando a Crucifixão, pintado por Costantino Brumidi, o artista que decorou o interior da Cúpula do Capitólio de Washington. Este afresco recuperou todo o seu esplendor em 2013, após a sua restauração, encomendada pelo Pe. Kallumady, pároco dos Santos Inocentes entre 2007 e 2013. Foi este sacerdote ordenado em 1973 na Índia, seu país de origem, que introduziu a liturgia tradicional na paróquia, o que explicou deste modo durante uma entrevista concedida à revista diocesana: "Dado que se trata de uma paróquia de gente dos arredores, que aí acorrem apenas durante a semana, estava à procura de uma comunidade que pudesse preencher os domingos, e foi aí que me virei para os fiéis ligados à liturgia tradicional. A experiência foi boa, e agora temos uma centena de fiéis que assistem todos os domingos à missa em latim. São muito ativos e participam em todas as atividades da paróquia, mesmo vindo de longe, e com alguns, que até vêm de Long Island. Todos eles são bem-vindos, e isto contribui para a originalidade da paróquia."

Depois da saída do Pe. Kallumady, a paróquia foi administrada pelo Pe. Rutler, um famoso pregador e evangelizador nova-iorquino, que, estando familiarizado com a liturgia tradicional, consolidou a renovação que se havia começado, e assim até à nomeação do Pe. Villa no Inverno passado. Depois de alguns anos passados no Exército e ao serviço dos sem-abrigo e de alcoólicos em Nova Iorque, o Pe. Villa esteve ao serviço de uma paróquia durante 22 anos, em Yonkers, um município limítrofe do Bronx, onde já havia introduzido a forma extraordinária do rito romano logo desde 14 de setembro de 2007, dia da entrada em vigor do motu proprio de Bento XVI. Condutor de homens posto ao serviço da salvação das almas, o Pe. Villa disse aos paroquianos qual era o caminho a seguir logo desde o seu primeiro sermão: consagração ao Sagrado Coração de Jesus e ao Coração Imaculado de Maria, a devoção ao Santíssimo Sacramento e a prática da confissão. O Pe. Villa está convencido de que, antes de se dar testemunho de Cristo com a palavra, é preciso começar a viver na Sua presença, à imagem da Bem-aventurada Virgem Maria e de São José.

Assim, para além da celebração de quatro missas de segunda a sexta-feira (uma pela manhã e duas à hora de almoço na forma ordinária, e uma na forma extraordinária ao fim da tarde) e de duas missas ao sábado e ao domingo (forma extraordinária às 13h00, aos sábados, e às 10h30, aos domingos), nos Santos Inocentes, hoje em dia, há também a recitação do Terço quotidiano, a adoração eucarística todas as tardes, aos dias de semana, e vésperas solenes ao domingo. Por regra, a forma extraordinária é cantada, exceto às segundas e às quintas.

II – Entrevista com o Pe.Villa

Paix liturgique – Quando é que começou a conhecer a forma extraordinária do rito romano?
Pe. Villa: Eu cresci com a liturgia tradicional antes do Concílio Vaticano II, e conhecia-a bem graças ao zelo eficaz dos redentoristas alemães que tinham a seu cargo a paróquia da minha infância. (Most Holy Redeemer, New York, NY).

Paix liturgique – Teve dificuldade para aprender a celebrá-la?
Pe. Villa: Na realidade, como desde os 13 anos que era mestre de cerimónias, não me custou muito começar a oferecer a missa na forma extraordinária. E, começando a praticar, veio-me logo tudo à memória.

Paix liturgique – O Sr. Padre é o que se costuma dizer um sacerdote in utroque usu, que celebra tanto numa como noutra das formas do Rito Romano. A sua maneira de celebrar a forma ordinária foi influenciada pela forma extraordinária?
Pe. Villa: Sempre me senti à vontade com a forma extraordinária, e, vistas as lacunas presentes no Novus Ordo, devo dizer que ela já influenciava a minha maneira de celebrar bem antes do motu proprio Summorum Pontificum. Diria mesmo que desde a minha ordenação que sempre tive tendência para me inspirar na liturgia antiga.

Paix liturgique – Como é que os seus fiéis reagiram, tanto em Yonkers como nos Santos Inocentes?
Pe. Villa: Muito bem. Em pouco tempo, a assembleia tornou-se tão numerosa como a da missa ordinária. Duas vezes por ano, também a celebrava para os alunos das escolas das redondezas, e os acólitos eram formados em ambas as formas do rito. A maior parte das vezes, celebrava a missa dialogada, em que os fiéis podem responder livremente em latim. Quanto ao coro paroquial, cantava gregoriano ou em polifonia tanto para a forma ordinária como para a extraordinária.

Paix liturgique – O que chama a atenção a quem quer que assista à missa nos Santos Inocentes, seja ao domingo ou à semana, é a diversidade dos fiéis: veem-se todas as etnias, todas as idades e todos os grupos sociais. Acolhem todos eles a forma extraordinária com o mesmo entusiasmo?
Pe. Villa: O que chama a atenção a quem quer que assista à missa nos Santos Inocentes, tem um nome: a reverência. Diria que ela foi muito bem aceite por todos, mesmo sendo aí celebradas as duas formas do rito.

Paix liturgique – A nova evangelização, que, de fato, é muitas vezes uma re-evangelização, é dos maiores desafios da Igreja de hoje : tendo em conta a localização dos Santos Inocentes, a dois passos dos divertimentos da Broadway e no coração do quarteirão industrial de Manhattan, é natural que não tenha mãos a medir?
Pe. Villa: A nova evangelização não é outra coisa senão evangelização: o ensino da fé católica. Aqui, temos a oportunidade de evangelizar por meio da liturgia, do confessionário, das devoções, do boletim paroquial e de uma boa imprensa. Vamos reativar a Legião de Maria na paróquia, e conto com ela para animar o centro móvel de informação católica, uma mini-biblioteca itinerante, além de um círculo de apologética, os Patrícios, durante o qual os fiéis têm a oportunidade para aprender e se familiarizar com a sua fé e para a aprofundar.

Paix liturgique – O Papa Francisco convida regularmente a que “saiam”: também lhe acontece ter de literalmente sair de dentro das suas paredes para atividades litúrgicas ou outras, pelas ruas de Manhattan?
Pe. Villa: Pelo que me toca, ando sempre vestido como sacerdote quando saio à rua. Isso suscita reações e até já me aconteceu ter de confessar na rua. No que toca à paróquia, participamos juntamente com outras paróquias numa iniciativa de apoio às pessoas que vivem na rua. A igreja e o átrio da paróquia, onde existe uma loja de artigos religiosos, atraem pessoas durante todo o dia. Além disso, há ainda as procissões por ocasião de grandes festas como a do Corpo de Deus ou no São Martinho.

Paix liturgique – É bem sabido que, na Europa, a secularização se apoderou da sociedade cristã. Ainda assim, será que há alguma coisa do catolicismo europeu de que sinta falta aqui, em Manhattan?
Pe. Villa: Muitas das raízes da nossa fé estão na Europa, onde há numerosos lugares santos. Para falar só da França, penso nos tantos santuários ou cidades ligadas a grandes santos: Notre-Dame; o São Sulpício; o santuário da Medalha Milagrosa ou o Sacré- Cœur em Paris, mas ainda Ars Paray-le-Monial, La Salette, Lourdes, etc.

Paix liturgique – Uma última palavra?
Pe. Villa: Creio que a forma extraordinária ainda não deixou de dar frutos à Igreja e constato que continua a desenvolver-se. Rezo para que possa continuar a influenciar a forma ordinária e, assim, possa contribuir para a libertar dos demasiados abusos que a afligem.

III – As reflexões da Paix liturgique

1) “Que quem tiver ouvidos ouça! ” Uma paróquia que, ameaçada de extinção, para se relançar, recorre à introdução da forma extraordinária. E funciona! Em Manhattan, coração da modernidade e da abundância. A isso chama-se “fazer experiência da tradição”, o que, na prática, é a única “reivindicação” manifestada, desde a reforma litúrgica, por tantos católicos, sacerdotes ou leigos, ligados à liturgia tradicional da Igreja. Infelizmente, deste lado do Atlântico, faz-se “orelhas moucas” e prefere-se fechar igrejas – se é que não se as promete aos muçulmanos! – em vez de as abrir ao povo Summorum Pontificum.

2) Este pragmatismo muito americano é o que podemos encontrar na atitude do arcebispo, o Cardeal Dolan, quem, tendo observado o novo despertar a que assistiu esta paróquia depois de aí se ter começado a praticar a forma tradicional, decide salvar a paróquia e dar-lhe um novo pároco que estivesse preparado para dar seguimento e desenvolver a vida paroquial in utroque usu. Este realismo explica a facilidade com que, do lado de lá do Atlântico, as comunidades Ecclesia Dei conseguem tantas novas paróquias e apostolados, e frequentemente após terem negociado pacificamente com o bispo do lugar um autêntico contrato com cláusulas muito concretas e que, em seguida, são escrupulosamente respeitadas por ambas as partes. É também por isso, enfim, que os seminaristas Summorum Pontificum são aceitos como tal em muitos seminários, que, por esse fato, mostram um aumento de entradas que podem fazer empalidecer de inveja os seminários europeus.

3) Depois de termos descoberto esta paróquia dos Santos Inocentes, muitos amigos que conhecem Nova Iorque, contaram-nos que também eles ficaram impressionados com a sua visita à paróquia. Com a dignidade das celebrações, o vigor das homilias, o fervor dos fiéis, mas ainda com esse espantoso “melting-pot”, esse cadinho que é uma imagem de Nova Iorque, onde os diplomatas da O.N.U. estão lado a lado com empregadas de limpeza filipinas da 5ª Avenida e famílias negras do Bronx. Se, a mais disso, levarmos em conta que foi um sacerdote indiano quem fez com que se instalasse aí a “missa em latim”, não podemos senão ficar fascinados com o caráter autenticamente católico, ou seja, universal, da missa tradicional.

Paix Liturgique


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sábado, 11 de fevereiro de 2017

Nobel francês respalda milagres de Lourdes


Prêmio Nobel reconhece singularidade dos milagres de Lourdes: “há curas que não estão incluídas no estado atual da ciência”.

 A cura de um grave problema de hipertensão é a matéria do 69º milagre oficial ocorrido em Lourdes.


Danila Castelli, italiana, esposa e mãe de família, viajou à França em 1989 e foi curada naquele mesmo ano, muito embora o milagre só tenha sido reconhecido por parte da Igreja em 2010. O Escritório de Constatações Médicas do Santuário de Lourdes concluiu, após várias análises, que "a senhora Castelli está curada, de maneira total e duradoura, desde a sua peregrinação a Lourdes em 1989, há 21 anos, da enfermidade que sofria, e isto sem ter relação alguma com as cirurgias ou os tratamentos"01.

Corpo milagrosamente incorrupto de Santa Bernadete
No mesmo lugar, em 1858, a Virgem Santíssima apareceu várias vezes à jovem – hoje santa – Bernadette Soubirous. Uma fonte de água na gruta das aparições tem sido instrumento da ação miraculosa de Deus até os dias de hoje. Embora mais de 7 mil curas "inexplicáveis" já tenham sido registradas, pouco menos de 70 delas foram devidamente reconhecidas pela Igreja – uma prova da prudência e da criteriosa investigação com que as autoridades eclesiásticas examinam os fatos que lhes são passados.

Particularmente extraordinário foi o milagre oficial n. 68 ocorrido em Lourdes. Em 2002, o peregrino Serge François foi misteriosamente curado de uma paralisia na perna02. Para agradecer, ele decidiu fazer o caminho de Santiago de Compostela a pé: mais de 1.500 quilômetros em agradecimento à Virgem de Lourdes. Nada mal para quem sofria com uma hérnia de disco.

Múltiplos são os relatos miraculosos acontecidos em Lourdes. No entanto, desde os primeiros fatos extraordinários que se passaram nesta pequena cidade francesa até os dias de hoje, o que não faltam são pessoas dogmaticamente céticas, acoimando os peregrinos e devotos de Nossa Senhora de "supersticiosos" e a Igreja, que deu seu aval às aparições da Virgem, de "inimiga da ciência".

Luc Montagnier, prêmio Nobel em Medicina
As palavras de uma grande personalidade científica destes tempos, no entanto, testemunham a favor de Nossa Senhora de Lourdes. "Quando um fenômeno é inexplicável, se realmente existe, não há necessidade de negar nada" – é o parecer de Luc Montagnier, prêmio Nobel em Medicina e descobridor do vírus HIV. "Nos milagres de Lourdes, assegura, há algo inexplicável."

As declarações de Montagnier foram recolhidas no livro Le Nobel et le Moine03 ["O Nobel e o Monge"], no qual o cientista conduz um diálogo com Michel Niassaut, um monge cisterciense. Em determinado momento da conversa, Montagnier reconhecer ter estudado vários milagres acontecidos em Lourdes e, mesmo sendo agnóstico, crê "de verdade que é algo inexplicável"."Reconheço que há curas que não estão incluídas no estado atual da ciência", diz.

Alexis Carrel
Luc Montagnier não é o primeiro Nobel a dar crédito a Lourdes. O famoso biologista francês Alexis Carrel (1873-1944), enviado em 1903 à cidade das aparições, a fim de desmascarar a "farsa" dos milagres, acabou convertendo-se à Igreja, após presenciar a cura de uma tuberculosa. A moribunda – que, segundo os diagnósticos da época, sem dúvida morreria – saiu curada das piscinas. A conversão de Carrel, até então naturalista e ateu, provocou um enorme rebuliço nos ambientes céticos do século XX.

As posições claramente imparciais de dois vencedores do prêmio Nobel derrubam o mito ateísta de que os milagres não são possíveis. E lembram a grande eficácia que tem, junto a Deus, a intercessão de Sua Mãe Santíssima.



Referências